18 de abril de 2009

Fúcsia


Ju e eu fomos ontem ao Sebo Cultural e recebemos o livro numa “sacola poética”. É uma sacola normal, mas com poema onde devia haver só propaganda. Acabei percebendo só depois de um tempo. Estava escrito o seguinte:


FÚCSIA


Da paleta dos jambeiros

sai o fúcsia

que pinta e borda

as calçadas dos setembros


(Vitória Lima)


Gostei muitíssimo. Sempre achei lindas as flores dos pés de jambo e sempre disse que quero ter uma casa com jardim imenso e corredores de pés de jambo que deixem tapetes cor de rosa nos meus setembros.


(e crianças correndo nos corredores – mas isso é uma outra história...)

11 de abril de 2009

Guimarães Rosa na desciclopédia


Gente, tô postando demais aqui nos últimos dias. É um prazer solitário. Gosto de amontoar aqui as coisas que acho interessantes. Hoje li o artigo sobre o Rosa na desciclo.. ri muito. Vou ver se coloco umas pérolas aqui:


"É um caminhão cheio de dissertações".
Coxinha, numa conversa com Guimarães Rosa

"Vai... vai... vai te embora, carniça! Um leso desses, nem ele mesmo sabe o que escreve! Entrando pra academia brasileira de letras! Eu quero mais é que ele papoque! Vai aprender a escrever direito, alesado! "
Coxinha, após a saída do autor

"Cacildis!"
Mussum, lendo Cara de Bronze


E o texto crítico sobre um trecho da obra?

"No instante em que é capaz de habitar o cosmos do entreaberto, onde se processa a interpenetração dinâmica do sim e do não, O Menino realiza, na profundidade de seu próprio ser, o sutil intercâmbio dialógico da transcendência e da transdescendência. Dissociada da transdescendência, a transcendência conduz à infinitude vazia, que desvitaliza o homem. Separada da transcendência, a transdescendência reduz o homem à finitude subalterna, que o aniquila. Despotenciado pela liberdade sem rumo da infinitude transcendente, ou asfixiado pela opressividade sem perspectiva da finitude imanente, o homem definha e perece. A pura infinitude é sobrehumana, porque divina; a mera finitude é subhumana, porque animal. Apenas a transfinitude, irrompendo da tensão harmônica destes dois pendores complementares, permite ao homem consumar-se como homem, atualizando a dotação onírica de sua alma, potencializando a vocação poética de seu espírito e integralizando a sua alta missão órfica sobre a terra. Ao adquirir o dom dramático da transfinitude, o Menino transcende a aporia primitiva das duas rígidas margens da alegria, - a do bem incorpóreo e irreal e a do mal monstruoso e sobrenatural, - e se consagra na apoteótica conquista da Alegria definitiva da 'Terceira Margem do Rio', eternamente suspensa na fronteira abissal entre o ser e o nada, de onde não cessa de convidar o homem ao silêncio e à solidão, que propiciam a essencial consonância entre a imensidão do cosmos e a intimidade da alma"

MUITO BOM!

Pena não ter conseguido copiar e colar aqui o gráfico de inteligência que ia de 0 (Bush) a 10 (Guimarães Rosa).

In truitina

In truitina mentis dubia
fluctuant contraria
lascivus amor et pudicitia.
Sed eligo quod video,
collum iugo prebeo:
ad iugum tamen suave transeo.
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não é a minha predileta, mas as palavras são bem a minha cara.
quem se interessar em saber o que é isso pode começar estudando latim.
(ou indo ao google, claro)

Soneto a quatro mãos


[Paulo Mendes Campos e Vinicius de Moraes]


Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.


imagem do filme "carta de uma desconhecida"
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10 de abril de 2009

História e Verdade



(...) o encontro em história não é jamais um diálogo, pois a condição primeira do diálogo é que o outro responda: a histórica é aquele setor da comunicação sem reciprocidade. Mas, atendida a condição dessa limitação, ela é uma espécie de amizade unilateral, à maneira desses amores que jamais são correspondidos. (p. 41)


RICOEUR, Paul. In: História e Verdade. Rio de Janeiro: Forense, 1968.


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faz tempo que quero colocar aqui vááárias citações de coisas que tenho lido no mestrado, mas sem internet em casa não dá... por outro lado, nesses dias no crato mal peguei nas leituras, a não ser hoje: retomei o paul ricoeurrrrrr [como diria a querida regina célia.. e a vânia!] e pretendo retomar o aróstegui. a citação já valeu. tô lendo também aquele especial da revista 'mente e cérebro' sobre ele e o gadamer.. ah, que vontade de ler 'tempo e narrativa!". a imagem do post é do caspar david friedrich, aquele que é citado no lindo 'paisagens da história', do gaddis...



[listening to] Call Me


{na voz de Astrud Gilberto}


If you're feeling sad and lonely
There's a service I can render
Tell the one who loves you only
I can be so warm and tender
Call me, don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me, and I'll be around ...

When it seems your friends desert you
There's somebody thinking of you
I'm the one who'll never hurt you
Maybe that's because I love you
Call me, don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me, and I'll be around ...

Now don't forget me
'Cause if you let me
I will always stay by you
You've got to trust me
That's how it must be
There's so much that I can do ...

If you call I'll be right with you
You and I should be together
Take this love I long to give you
I'll be at your side forever
Call me, don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me and I'll be around ...

8 de abril de 2009

Almanaque, Buarque...


Ó menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou!
Diz quem é que marcava o tic-tac e a ampulheta do tempo disparou!
Se mamava se sabe lá em que teta o primeiro bezerro que berrou...

Me diz, me diz, me responde por favor:
- Pra onde vai o meu amor quando o amor acaba?

Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou?
Me diz, me diz!
Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou?
Me diz, me diz, me diz por favor!
Quem pintou a bandeira brasileira, que tinha tanto lápis de cor?

Me diz, me diz, me responde por favor...
Pra onde vai o meu amor quando o amor acaba?

Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou!
Quem foi esse pedreiro esse arquiteto e o valente primeiro morador?
Me diz, me diz um morador!
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor!
Me diz, me diz
Me responde por favor!
Pra onde vai o meu amor?
Quando o amor acaba?

Quem é que sabe o signo do capeta eo ascendente de Deus Nosso Senhor?
Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor?
Me diz, me diz, me diz por favor!
Quem tava no volante do planeta(que o meu continente capotou)?
Me responde, por favor...
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba

Vê se tem no almanaque, essa menina,
Como é que termina um grande amor?
Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor

Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair do elevador

Me responde, por favor:

- Pra que que tudo começou?
- Quando tudo acaba?

Bridges



I have crossed a thousand bridges
In my search for something real
There are great suspension brigdes
Made like spider webs of steel
There are tiny wooden trestles
And there are bridges made of stone
I have always been a stranger
And I've always been alone
 
There's a bridge to tomorrow
There's a bridge from the past
There's a bridge made of sorrow
That I pray will not last
There's a bridge made of colors
In the sky high above
And I think that there must be
Bridges made out of love
 
I can see her in the distance
On the river's other shore
And her hands reach out longing
As my own have done before
And I call across to tell him
Where I believe the bridge must lie
And I'll find it, yes I'll find it
If I search until I die
 
When the bridge is between us
We'll have nothing to say
We will run through the sun light
And I'll meet him halfway
There's a bridge made of colors
In the sky high above
And I'm certain that somewhere
There's a bridge made of love.


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¹. Baixei um cd fantáááástico da fantáááástica Astrud Gilberto onde ela canta Jorge Ben (!), Escravos de Jó (!!) e essa versão liiiiinda com letra infinitamente tocante de "Travessia", do Milton Nascimento. Nem sou tão fã do "Bituca" (e acho que é um defeito meu), mas a letra dessa canção em inglês dá tanta vontade de chorar quanto a versão em português, embora ambas sejam bastante diferentes. É bom salientar que a versão em português ficou meio clichê e enjoou, embora seja bela, deveras.
² . A imagem é do filme que também tem pontes no meio e também dá vontade de chorar, "As Pontes de Madison"


6 de abril de 2009

O visconde Partido ao Meio


“- Que se pudesse partir ao meio toda coisa inteira - disse meu tio, de braços no rochedo, acariciando aquelas metades convulsivas de polvo - que todos pudessem sair de sua obtusa e ignorante inteireza. Estava inteiro e para mim as coisas eram naturais e confusas, estúpidas como o ar: acreditava ver tudo e só havia a casca. Se você virar a metade de você mesmo, e lhe desejo isso, jovem, há de entender coisas além da inteligência comum dos cérebros inteiros. Terá perdido a metade de você e do mundo, mas a metade que resta será mil vezes mais profunda e preciosa. E você há de querer que tudo seja partido ao meio e talhado segundo sua imagem, pois a beleza, sapiência e justiça existem só no que é composto de pedaços.” [p. 52]

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PS.: encontrei este livro, que custa uns R$ 25,00 por R$ 13,00 na UFPB. Não contive meu espírito buquinista-consumista, comprei. Li bem rapidinho e adorei. Já estava com saudade de ler o Italo Calvino. A edição é aquela bonitinha, parente da minha de "As Cosmicômicas", com capa branquinha por dentro e coloridinha por fora. Me identifiquei com o lado bom do Visconde, mas achei o Mau bem mais interessante.. bem típico da minha pessoa, não?

5 de abril de 2009

Coisas lindas de Italo Breno



"Amanda, por que você não mandou o trem voltar antes? Eu estava com muita saudade de você, sabia?"

(Ítalo, que aos 4 anos fez a declaração de amor mais bonitinha que ouvi nas últimas décadas...)

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Ítalo : Sabe o que eu sonhei, Amanda? Que eu estava no telhado, trabalhando. Aí eu sentia uma coisa debaixo dos meus pés. Sabe o que era? Um dinossauro invisível! Eu ficava com medo, saía correndo e descia por uma escada mágica!

Tio Iran: Sério? E o dinossauro invisível era de que cor, Ítalo?


Ítalo: Vermelho!


(Ítalo, meu priminho surreal que vê as cores das coisas invisíveis)

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"Os bebês são uma espécie de brinquedo"

(Ítalo, 4 anos, sobre a irmã Yasmin, de 6 meses)

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Ítalo ainda vai ser um grande escritor. De contos surreais, fábulas ou realismo fantástico. Estou certa disso. Ele tem um espírito totalmente voltado pras Humanidades! Ah, que lindo...

4 de abril de 2009

Roleta Russa



[Adriana Calcanhotto]

Um olho mira
um olho fecha
Desejo é flecha
a mão arrisca
Um olho vê
um olho cega
a bala, a mão, a mira, a espera, o disparo
meu coração atira
ao alvo errado
e acerta

Um olho vendo
Um olho veda
Desejo é fera
a mão atiça

imagem: Peynet
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28 de fevereiro de 2009

In the end

[beatles]


Oh yeah.Alright.
Are you gonna be in my dreams
Tonight.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
And in the end,
The love you take
Is equal to
The love you make.

26 de fevereiro de 2009

Grande samba disperso - 2

[Guima, sempre!]


Cumpro minha obrigação de dor, meu senhor. Estou alegre de trono, só choro estas poucas lágrimas.

Enquanto o tempo não parar de cair, não teremos equilíbiro. Vou ao vento, para meu assento.

Cale-se. O pensamento é um fútil pássaro. Toda razão é medíocre. Viver é respirar; pensar já é morrer. Só Deus é dono de todas as simultaneidades. Só há um diálogo verdadeiro: o do silêncio e da voz. Se quer dizer alguma coisa, diga por exemplo:...Em minha alma se abriu, esta hora, um golfo de Guiné...

Sofre, sofre, depressa, que é para as alegrias novas poderem vir...

Amor perdido é amor que não foi achado: não-amor. Não o amor-mor, o mor amor. Mas falso amor, algum engano. O falso-amor é um biombo, o mor-amor é um ribombo.

Se querem dizer alguma coisa, digam, por exemplo: ... Laço foi o que me trouxe. Minha carne viu por meus olhos. Mundo isolado de mim. Bom-grado vou. Amanhã e estrelas. Sinto-me. Quando sinto, minto? Meu teu meu-amor...

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24 de fevereiro de 2009

Suspirâncias


(Guimarães Rosa, Corpo de Baile, A estória de Lélio e Lina...)

¨

"Mas, então! -- não era melhor, não havia um jeito, um possível, de se desmanchar no atual, e recomeçar, de outro princípio, a história das pessôas?!"

"Ali não cabia. Aquele lugar o repartia em muitos, parava como uma encruzilhada."

"(...) até os cotovelos o coração a espancava"

"O amor era isso - dãodalalão - um sino e seu badaladal"

"Só de viver no meio dos outros, a gente, cada um está fazendo feitiço, toda hora... só que não sabe..."


-

23 de fevereiro de 2009

Eu te amo


Tom Jobim / Chico Buarque


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

(...)

Le temps ne fait rien à l'affaire



"Si tu te couches dans mes bras
Alors la vie te semblera
Plus facile"

[George Brassens + Chagall]

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* merci, personnes! nous avons arrivé à l'incroyable chiffre de cinq mil visiteurs ici. incroyable!

20 de fevereiro de 2009

Mozart no Céu



[Manuel Bandeira
In: Lira dos Cinquent'anos]



No dia 5 de dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus
Mozart entrou no céu, como um artista
de circo, fazendo piruetas extraordinárias
sobre um mirabolante cavalo branco.

Os anjinhos atônitos diziam: Que foi? Que não foi?
Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas suplementares
superiores da pauta.
Um momento se suspendeu a contemplação inefável.
A Virgem beijou-o na testa
E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais
moço dos anjos.

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* estou usando meus 7 dias de férias na tarefa simples e doce de conhecer manuel bandeira

17 de fevereiro de 2009

Caetano das antigas...

Sete Mil Vezes




Sete mil vezes eu tornaria a viver assim
Sempre contigo transando sob as estrelas
Sempre cantando a música doce
Que o amor pedir pra eu cantar

Noite feliz, todas as coisas são belas
Sete mil vezes, e em cada uma outra vez querer
Sete mil outras em progressão infinita
Quando uma hora é grande e bonita
Assim quer se multiplicar
Quer habitar todos os cantos do ser
Quarto crescente pra sempre um constante quando
Eternamente o presente você me dando

Sete mil vidas, sete milhões e ainda um pouco mais
É o que eu desejo e o que deseja esta noite
Noite de calma e vento, momento
De preces e de carnavais

9 de fevereiro de 2009

.

Me dê notícia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar

Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar

Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou

Eu chamo seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda cantiga do vento
Já passou

A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê notícia de você
Me deu vontade de voltar

3 de fevereiro de 2009

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Mas se cantar pudessse um verme...

eu cantaria a sua luz

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* só porque gosto muito dessa canção.