Ju e eu fomos ontem ao Sebo Cultural e recebemos o livro numa “sacola poética”. É uma sacola normal, mas com poema onde devia haver só propaganda. Acabei percebendo só depois de um tempo. Estava escrito o seguinte:
FÚCSIA
Da paleta dos jambeiros
sai o fúcsia
que pinta e borda
as calçadas dos setembros
(Vitória Lima)
Gostei muitíssimo. Sempre achei lindas as flores dos pés de jambo e sempre disse que quero ter uma casa com jardim imenso e corredores de pés de jambo que deixem tapetes cor de rosa nos meus setembros.
(e crianças correndo nos corredores – mas isso é uma outra história...)
Gente, tô postando demais aqui nos últimos dias. É um prazer solitário. Gosto de amontoar aqui as coisas que acho interessantes. Hoje li o artigo sobre o Rosa na desciclo.. ri muito. Vou ver se coloco umas pérolas aqui:
"É um caminhão cheio de dissertações".
Coxinha, numa conversa com Guimarães Rosa
"Vai... vai... vai te embora, carniça! Um leso desses, nem ele mesmo sabe o que escreve! Entrando pra academia brasileira de letras! Eu quero mais é que ele papoque! Vai aprender a escrever direito, alesado! " Coxinha, após a saída do autor
"Cacildis!"
Mussum, lendo Cara de Bronze
E o texto crítico sobre um trecho da obra?
"No instante em que é capaz de habitar o cosmos do entreaberto, onde se processa a interpenetração dinâmica do sim e do não, O Menino realiza, na profundidade de seu próprio ser, o sutil intercâmbio dialógico da transcendência e da transdescendência. Dissociada da transdescendência, a transcendência conduz à infinitude vazia, que desvitaliza o homem. Separada da transcendência, a transdescendência reduz o homem à finitude subalterna, que o aniquila. Despotenciado pela liberdade sem rumo da infinitude transcendente, ou asfixiado pela opressividade sem perspectiva da finitude imanente, o homem definha e perece. A pura infinitude é sobrehumana, porque divina; a mera finitude é subhumana, porque animal. Apenas a transfinitude, irrompendo da tensão harmônica destes dois pendores complementares, permite ao homem consumar-se como homem, atualizando a dotação onírica de sua alma, potencializando a vocação poética de seu espírito e integralizando a sua alta missão órfica sobre a terra. Ao adquirir o dom dramático da transfinitude, o Menino transcende a aporia primitiva das duas rígidas margens da alegria, - a do bem incorpóreo e irreal e a do mal monstruoso e sobrenatural, - e se consagra na apoteótica conquista da Alegria definitiva da 'Terceira Margem do Rio', eternamente suspensa na fronteira abissal entre o ser e o nada, de onde não cessa de convidar o homem ao silêncio e à solidão, que propiciam a essencial consonância entre a imensidão do cosmos e a intimidade da alma"
MUITO BOM!
Pena não ter conseguido copiar e colar aqui o gráfico de inteligência que ia de 0 (Bush) a 10 (Guimarães Rosa).
In truitina mentis dubia fluctuant contraria lascivus amor et pudicitia. Sed eligo quod video, collum iugo prebeo: ad iugum tamen suave transeo.
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não é a minha predileta, mas as palavras são bem a minha cara. quem se interessar em saber o que é isso pode começar estudando latim. (ou indo ao google, claro)
Tudo de amor que existe em mim foi dado. Tudo que fala em mim de amor foi dito. Do nada em mim o amor fez o infinito Que por muito tornou-me escravizado. Tão pródigo de amor fiquei coitado Tão fácil para amar fiquei proscrito. Cada voto que fiz ergueu-se em grito Contra o meu próprio dar demasiado. Tenho dado de amor mais que coubesse Nesse meu pobre coração humano Desse eterno amor meu antes não desse. Pois se por tanto dar me fiz engano Melhor fora que desse e recebesse Para viver da vida o amor sem dano.
(...) o encontro em história não é jamais um diálogo, pois a condição primeira do diálogo é que o outro responda: a histórica é aquele setor da comunicação sem reciprocidade. Mas, atendida a condição dessa limitação, ela é uma espécie de amizade unilateral, à maneira desses amores que jamais são correspondidos. (p. 41)
RICOEUR, Paul. In: História e Verdade. Rio de Janeiro: Forense, 1968.
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faz tempo que quero colocar aqui vááárias citações de coisas que tenho lido no mestrado, mas sem internet em casa não dá... por outro lado, nesses dias no crato mal peguei nas leituras, a não ser hoje: retomei o paul ricoeurrrrrr [como diria a querida regina célia.. e a vânia!] e pretendo retomar o aróstegui. a citação já valeu. tô lendo também aquele especial da revista 'mente e cérebro' sobre ele e o gadamer.. ah, que vontade de ler 'tempo e narrativa!". a imagem do post é do caspar david friedrich, aquele que é citado no lindo 'paisagens da história', do gaddis...
If you're feeling sad and lonely There's a service I can render Tell the one who loves you only I can be so warm and tender Call me, don't be afraid, you can call me Maybe it's late, but just call me Tell me, and I'll be around ...
When it seems your friends desert you There's somebody thinking of you I'm the one who'll never hurt you Maybe that's because I love you Call me, don't be afraid, you can call me Maybe it's late, but just call me Tell me, and I'll be around ...
Now don't forget me 'Cause if you let me I will always stay by you You've got to trust me That's how it must be There's so much that I can do ...
If you call I'll be right with you You and I should be together Take this love I long to give you I'll be at your side forever Call me, don't be afraid, you can call me Maybe it's late, but just call me Tell me and I'll be around ...
Ó menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou! Diz quem é que marcava o tic-tac e a ampulheta do tempo disparou! Se mamava se sabe lá em que teta o primeiro bezerro que berrou...
Me diz, me diz, me responde por favor: - Pra onde vai o meu amor quando o amor acaba?
Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou? Me diz, me diz! Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou? Me diz, me diz, me diz por favor! Quem pintou a bandeira brasileira, que tinha tanto lápis de cor?
Me diz, me diz, me responde por favor... Pra onde vai o meu amor quando o amor acaba?
Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou! Quem foi esse pedreiro esse arquiteto e o valente primeiro morador? Me diz, me diz um morador! Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor! Me diz, me diz Me responde por favor! Pra onde vai o meu amor? Quando o amor acaba?
Quem é que sabe o signo do capeta eo ascendente de Deus Nosso Senhor? Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor? Me diz, me diz, me diz por favor! Quem tava no volante do planeta(que o meu continente capotou)? Me responde, por favor... Pra onde vai o meu amor Quando o amor acaba
Vê se tem no almanaque, essa menina, Como é que termina um grande amor? Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair do elevador Me responde, por favor: - Pra que que tudo começou? - Quando tudo acaba?
¹. Baixei um cd fantáááástico da fantáááástica Astrud Gilberto onde ela canta Jorge Ben (!), Escravos de Jó (!!) e essa versão liiiiinda com letra infinitamente tocante de "Travessia", do Milton Nascimento. Nem sou tão fã do "Bituca" (e acho que é um defeito meu), mas a letra dessa canção em inglês dá tanta vontade de chorar quanto a versão em português, embora ambas sejam bastante diferentes. É bom salientar que a versão em português ficou meio clichê e enjoou, embora seja bela, deveras.
² . A imagem é do filme que também tem pontes no meio e também dá vontade de chorar, "As Pontes de Madison"
“- Que se pudesse partir ao meio toda coisa inteira - disse meu tio, de braços no rochedo, acariciando aquelas metades convulsivas de polvo - que todos pudessem sair de sua obtusa e ignorante inteireza. Estava inteiro e para mim as coisas eram naturais e confusas, estúpidas como o ar: acreditava ver tudo e só havia a casca. Se você virar a metade de você mesmo, e lhe desejo isso, jovem, há de entender coisas além da inteligência comum dos cérebros inteiros. Terá perdido a metade de você e do mundo, mas a metade que resta será mil vezes mais profunda e preciosa. E você há de querer que tudo seja partido ao meio e talhado segundo sua imagem, pois a beleza, sapiência e justiça existem só no que é composto de pedaços.”[p. 52]
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PS.: encontrei este livro, que custa uns R$ 25,00 por R$ 13,00 na UFPB. Não contive meu espírito buquinista-consumista, comprei. Li bem rapidinho e adorei. Já estava com saudade de ler o Italo Calvino. A edição é aquela bonitinha, parente da minha de "As Cosmicômicas", com capa branquinha por dentro e coloridinha por fora. Me identifiquei com o lado bom do Visconde, mas achei o Mau bem mais interessante.. bem típico da minha pessoa, não?
"Amanda, por que você não mandou o trem voltar antes? Eu estava com muita saudade de você, sabia?"
(Ítalo, que aos 4 anos fez a declaração de amor mais bonitinha que ouvi nas últimas décadas...)
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Ítalo : Sabe o que eu sonhei, Amanda? Que eu estava no telhado, trabalhando. Aí eu sentia uma coisa debaixo dos meus pés. Sabe o que era? Um dinossauro invisível! Eu ficava com medo, saía correndo e descia por uma escada mágica!
Tio Iran: Sério? E o dinossauro invisível era de que cor, Ítalo?
Ítalo: Vermelho!
(Ítalo, meu priminho surreal que vê as cores das coisas invisíveis)
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"Os bebês são uma espécie de brinquedo"
(Ítalo, 4 anos, sobre a irmã Yasmin, de 6 meses)
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Ítalo ainda vai ser um grande escritor. De contos surreais, fábulas ou realismo fantástico. Estou certa disso. Ele tem um espírito totalmente voltado pras Humanidades! Ah, que lindo...
Um olho mira um olho fecha Desejo é flecha a mão arrisca Um olho vê um olho cega a bala, a mão, a mira, a espera, o disparo meu coração atira ao alvo errado e acerta
Um olho vendo Um olho veda Desejo é fera a mão atiça
Cumpro minha obrigação de dor, meu senhor. Estou alegre de trono, só choro estas poucas lágrimas.
Enquanto o tempo não parar de cair, não teremos equilíbiro. Vou ao vento, para meu assento.
Cale-se. O pensamento é um fútil pássaro. Toda razão é medíocre. Viver é respirar; pensar já é morrer. Só Deus é dono de todas as simultaneidades. Só há um diálogo verdadeiro: o do silêncio e da voz. Se quer dizer alguma coisa, diga por exemplo:...Em minha alma se abriu, esta hora, um golfo de Guiné... Sofre, sofre, depressa, que é para as alegrias novas poderem vir...
Amor perdido é amor que não foi achado: não-amor. Não o amor-mor, o mor amor. Mas falso amor, algum engano. O falso-amor é um biombo, o mor-amor é um ribombo.
Se querem dizer alguma coisa, digam, por exemplo: ... Laço foi o que me trouxe. Minha carne viu por meus olhos. Mundo isolado de mim. Bom-grado vou. Amanhã e estrelas. Sinto-me. Quando sinto, minto? Meu teu meu-amor...
No dia 5 de dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus Mozart entrou no céu, como um artista de circo, fazendo piruetas extraordinárias sobre um mirabolante cavalo branco.
Os anjinhos atônitos diziam: Que foi? Que não foi? Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas suplementares superiores da pauta. Um momento se suspendeu a contemplação inefável. A Virgem beijou-o na testa E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais moço dos anjos.
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* estou usando meus 7 dias de férias na tarefa simples e doce de conhecer manuel bandeira
Sete mil vezes eu tornaria a viver assim Sempre contigo transando sob as estrelas Sempre cantando a música doce Que o amor pedir pra eu cantar
Noite feliz, todas as coisas são belas Sete mil vezes, e em cada uma outra vez querer Sete mil outras em progressão infinita Quando uma hora é grande e bonita Assim quer se multiplicar Quer habitar todos os cantos do ser Quarto crescente pra sempre um constante quando Eternamente o presente você me dando
Sete mil vidas, sete milhões e ainda um pouco mais É o que eu desejo e o que deseja esta noite Noite de calma e vento, momento De preces e de carnavais