
3 de julho de 2009
30 de junho de 2009
24 de junho de 2009
O Túnel

Ernesto Sábato
23 de junho de 2009
El Futuro

Julio Cortázar, em Salvo el Crepusculo
Y sé muy bien que no estarás.
No estarás en la calle, en el murmullo que brota de noche
de los postes de alumbrado, ni en el gesto
de elegir el menú, ni en la sonrisa
que alivia los completos en los subtes,
ni en los libros prestados ni en el hasta mañana.
No estarás en mis sueños,
en el destino original de mis palabras,
ni en una cifra telefónica estarás
o en el color de un par de guantes o una blusa.
Me enojaré, amor mío, sin que sea por ti,
y compraré bombones pero no para ti,
me pararé en la esquina a la que no vendrás,
y diré las palabras que se dicen
y comeré las cosas que se comen
y soñaré los sueños que se sueñan
y sé muy bien que no estarás,
ni aquí adentro, la cárcel donde aún te retengo,
ni allí fuera, este río de calles y de puentes.
No estarás para nada, no serás ni recuerdo,
y cuando piense en ti pensaré un pensamiento
que oscuramente trata de acordarse de ti.
imagem: Vilhelm Hammershoi
19 de junho de 2009
Cambalache
Que el mundo fue y será
una porquería, ya lo sé.
En el quinientos seis
y en el dos mil, también.
Que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
varones y dublés.
Pero que el siglo veinte
es un despliegue
de maldá insolente,
ya no hay quien lo niegue.
Vivimos revolcaos en un merengue
y en el mismo lodo
todos manoseaos.
Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor,
ignorante, sabio, chorro,
generoso o estafador...
¡Todo es igual!
¡Nada es mejor!
Lo mismo un burro
que un gran profesor.
No hay aplazaos ni escalafón,
los ignorantes nos han igualao.
Si uno vive en la impostura
y otro roba en su ambición,
da lo mismo que sea cura,
colchonero, Rey de Bastos,
caradura o polizón.
¡Qué falta de respeto,
qué atropello a la razón!
Cualquiera es un señor,
cualquiera es un ladrón...
Mezclao con Stavisky
va Don Bosco y La Mignon,
Don Chicho y Napoleón,
Carnera y San Martín...
Igual que en la vidriera
irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida,
y herida por un sable sin remache
ves llorar La Biblia
junto a un calefón.
Siglo veinte, cambalache
problemático y febril...
El que no llora no mama
y el que no afana es un gil.
¡Dale, nomás...!
¡Dale, que va...!
¡Que allá en el Horno
nos vamo' a encontrar...!
No pienses más; sentate a un lao,
que a nadie importa si naciste honrao...
Es lo mismo el que labura
noche y día como un buey,
que el que vive de los otros,
que el que mata, que el que cura,
o está fuera de la ley...
Carlos Gardel
18 de junho de 2009
Certeza

triste, sem cor, de pedra.
Qual mar de gelatina,
de bruma, de arrepio.
Bem branco, sem limites,
onde não reconheça,
nem emoção e afeto,
sem texugo e serpente.
Sê-me grande serpente
de chamas e de mármore,
não javali, não árvore.
Nada, não, não me sejas.
Beija-me e depois vai-te.
Não poderei te amar.
In: Desdesejo, de Narcís Comadira. A imagem também é dele.
14 de junho de 2009
Dia e Noite
13 de junho de 2009
7 de junho de 2009
O Inocente
4 de junho de 2009
Eu soube enfim que o amor está ligado a mim.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol
Eu soube enfim que o amor está ligado a mim.
E eu agarro esta cabeleira de mil tranças.
Embora ontem à noite eu estivesse bêbado da taça,
Hoje, eu sou tal, que a taça se embebeda de mim.
.
Se busco meu coração, o encontro em teu quintal,
Se busco minha alma, não a vejo a não ser nos cachos de teu cabelo.
Se bebo água, quando estou sedento
Vejo na água o reflexo do teu rosto.
.
Sou medido, ao medir teu amor.
Sou levado, ao levar teu amor.
Não posso comer de dia nem dormir de noite.
Para ser teu amigo
Tornei-me meu próprio inimigo.
.
Teu amor me tirou de mim.
De ti, preciso de ti
Noite e dia, eu queimo por ti.
De ti, preciso de ti.
.
Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
- Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!
.
À noite, pedi a um velho sábio
que me contasse todos os segredos do universo.
Ele murmurou lentamente em meu ouvido:
- Isto não se pode dizer, isto se aprende.
.
- Aqui estão todas as belezas, o vinho e a luz.
Que posso fazer com tudo isso sem ti?
E, se estás aqui, para que preciso disso?
.
Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.
Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.
.
RUMI
.
http://www.sertaodoperi.com.br/poesiasufi/poesia/rumi_colet.htm
Nasrudin

Em dada ocasião, Nasrudin estava em um barco com um homem letrado, quando o Mullá disse algo que contrariava as regras gramaticais:
- Você nunca estudou gramática? - perguntou o estudioso.
- Não, nunca - respondeu Nasrudin.
- Nesse caso, metade de sua vida se perdeu - retrucou outro.
Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:
- Você nunca aprendeu a nadar? - disse o Mullá ao homem letrado.
- Não, nunca - este respondeu.
- Então, nesse caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando.
2 de junho de 2009
It is mightier than swords

Ooh! Get me away from here I'm dying
Play me a song to set me free!
Thought there was love in everything and everyone
You're so naive...
At the final moment, I cried
I always cry at endings
Into the windows of my lovers
They never know unless I write
"This is no declaration, I just thought I'd let you knowgoodbye"
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1 de junho de 2009
A voz do morto
22 de maio de 2009
O tempo é um barco que navega na sua própria água
O zero não é vazio.
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19 de maio de 2009
16 de maio de 2009
Palavras para guardar
Pára-quedas (dessa aqui a gente tem que se despedir duas vezes!)
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14 de maio de 2009
Não sabemos nada da verdadeira história dos homens
Tout ce qui est intéressant se passe dans l'ombre...
On ne sait rien de la veritable histoire des hommes.
[Céline]
{no querido "O Queijo e os Vermes", agora revisitado}
9 de maio de 2009
Vem.

Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamos-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo, como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender se escutam palavras e veêm rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um, falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão : "toca", se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fecho pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
7 de maio de 2009
Mais amores, mais amores

Tochter aus elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische dein heiligtum.
Deine zauber binden wieder,
Was die mode streng geteilt;
Alle menschen werden brueder,
Wo dein sanfter fluegel weilt.
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PS.: ok, também já conhecia Geschichte e Zeitgeist, mas essas não valem!
S e r e n d i p i t y
A lógica é a prudência convertida em ciência; por isso não serve para nada. Deixa de lado componentes importantes, pois, quer se queira quer não, o homem não é composto apenas de cérebro. Eu diria mesmo que, para a maioria das pessoas, e não me excetuo, o cérebro tem pouca importância no decorrer da vida. O contrário seria terrível: a vida ficaria limitada a uma única operação matemática, que não necessitaria da aventura do desconhecido e inconsciente, nem do irracional. (ROSA, 1995, p. 57)
Como a pedra, de asas inutilmente ansiosa.
Sionésio e Maria Exita – a meios-olhos, perante o refulgir, o todo branco.
Acontecia o não-fato, o não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o
um-e-outra, um em-si-juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente:
pensamento, pensamor. Alvor. Avançavam, parados, dentro da luz, como
se fosse no dia de Todos os Pássaros.
O esquecimento é voluntária covardia.
“Saudade – um fogo enorme, num monte de gelo”
Fim não fim: repete antecipadamente meu único momento?
5 de maio de 2009
Ér, érr, éérrr, Paul Ricoeurrrrr...
“A errância do navegador não clama menos por seus direitos que a residência do sedentário. Claro, meu lugar é ali onde está meu corpo. Mas colocar-se e deslocar-se são atividades primordiais que fazem do lugar algo a ser buscado. Seria assustador não encontrar nenhum. Seríamos nós mesmos devastados”
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“É nos confins do espaço vivido e do espaço geométrico que se situa o ato de habitar”
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“Quanto ao ato de construir, considerado como uma operação distinta, ele faz prevalecer um tipo de inteligibilidade de mesmo nível que aquele que caracteriza a configuração do tempo pela composição do enredo. Entre o tempo “narrado” e o espaço “construído”, as analogias abundam. Nem um nem outro se reduzem a frações do tempo universal e do espaço do geômetra”
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“A operação historiográfica procede de uma dupla redução, a da experiência viva da memória, mas também a da especulação multimilenar sobra a ordem do tempo”
* Estou totaly in love with Paul Ricoeur... entrei em contato com ele pela primeira vez quando vi Patrícia se debatendo com “A memória, a história, o esquecimento” lá em Recife. Me arrisquei a ler umas páginas. Achei difícil, mas me interessei. No primeiro dia de aula de teoria, Regina perguntou quem gostaria de apresentá-lo e eu [muito desajuizada e ousadamente] me ofereci. E eis-me aqui. Estamos entre tapas e beijos: sofro, me apaixono, suspiro: não compreendo totalmente, mas sinto. É às vezes quase poesia. Tenho – estranhamente – me relacionado melhor com os trechos sobre espaço que com aqueles sobre tempo. Acho que é porque o tempo é uma matéria muito mais complexa e delicada (puxando brasa pra minha sardinha). E durante este “espaço de tempo” venho namorando com o livro; devo comprar o original. A professora Rosa disse com aquele jeito de falar inimitável que o Paul Ricoeur seria útil pra mim... ela está lendo o “Tempo e Narrativa” e falou que vai demorar uns quatro anos pra mastigar bem os três volumes! Imagine eu, pobre mortal. Será que bastaria entender com o coração? Veremos. Serão cenas dos próximos capítulos (da dissertação? rs).






