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23 de novembro de 2008

Miedo *



{Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis}

Tienen miedo del amor y no saber amar | Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz | Tienen miedo de pedir y miedo de callar | Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar | Tienen miedo de la noche y miedo del azul | Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar | Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva | El miedo es una trampa que atrapó al amor | El miedo es la palanca que apagó la vida | El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão | Tenho medo da vida e medo de morrer | Tenho medo de ficar e medo de escapulir | Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar | Tenho medo de esperar e medo de partir | Tenho medo de correr e medo de cair | Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo | O medo é uma casa aonde ninguém vai | O medo é como um laço que se aperta em nós | O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar | Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser | Tienen miedo de decir y miedo de escuchar | Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar | Tenho medo de amarrar e medo de quebrar | Tenho medo de exigir e medo de deixar | Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia | O medo é uma armadilha que pegou o amor | O medo é uma chave, que apagou a vida | O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo | El miedo es una casa donde nadie va | El miedo es como un lazo que se apierta en nudo | El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo | Medo de dobrar a esquina | Medo de ficar no escuro | De passar em branco, de cruzar a linha | Medo de se achar sozinho | De perder a rédea, a pose e o prumo | Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão | O medo circulando nas veias | Ou em rota de colisão | O medo é do Deus ou do demo | É ordem ou é confusão | O medo é medonho, o medo domina | O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara | Medo de encarar | Medo de calar a boca | Medo de escutar | Medo de passar a perna | Medo de cair | Medo de fazer de conta | Medo de dormir | Medo de se arrepender | Medo de deixar por fazer | Medo de se amargurar pelo que não se fez | Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H | Medo de morrer na praia depois de beber o mar | Medo... que dá medo do medo que dá | Medo... que dá medo do medo que dá.

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* Meu atual estado de espírito...

11 de novembro de 2008

Um índio *


[Caetano Veloso]

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

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* Para lembrar e agradecer a Patrícia e Lucas pelo carinho, a generosidade e os dias felizes que nos proporcionaram em Recife...

20 de outubro de 2008

O Seu Amor



[Gilberto Gil]

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Livre para amar
Livre para amar
Livre para amar

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser

O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ser o que ele é
Ser o que ele é
Ser o que ele é

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10 de outubro de 2008

A Companheira


[Luiz Tatit]

(...)

Onde eu ia, ela ia

Onde olhava, ela estava
Quando eu ria, ela ria
Não falhava

(...)

Me esperava no portão
Me encontrava, dava a mão
Me chateava, sim ou não?
Não

De repente a vida ganhou sentido
Companheira assim nunca tinha tido
O que fica sempre é uma coisa estranha
É companheira que não acompanha

Isso pra mim é felicidade
Achar alguém assim na cidade
Como uma letra pra melodia
Fica do lado, faz companhia

Pensava nisso quando ela ali
No portão da frente
Me viu pensando, quis pensar junto
"pensar é um ato tão particular do indivíduo"
E ela, na hora "particular, é? duvido"
E como de fato eu não tinha lá muita certeza
Entrei na dela, senti firmeza

Eu pensava até um ponto
Ela entrava sem confronto
Eu fazia o contraponto
E pronto

(...)

Eu fazia uma poesia
Ela lia, declamava
Qualquer coisa que eu escrevia
Ela amava

(...)

Nunca a metade foi tão inteira
Uma medida que se supera
Metade ela era companheira
Outra metade, era eu que era

imagem: Lua de Mel do Pintor, de Lorde Frederick Leighton (é a segunda vez que posto... acho muito linda)

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7 de outubro de 2008

Depois de ter você


Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?

Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como esta?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você...

(não tenho vergonha de dizer que estou viciada em Adriana Calcanhotto)

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4 de outubro de 2008

Tira as mãos de mim


[Chico Buarque de Holanda]

Ele era mil
Tu és nenhum
Na guerra és vil
Na cama és mocho
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se o fogo dele
Guardado em mim
Te incendeia um pouco

Éramos nós
Estreitos nós
Enquanto tu
És laço frouxo
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se a febre dele
Guardada em mim
Te contagia um pouco

28 de setembro de 2008

É bom evitar


Amor, quanto menos ou nenhum é melhor
Porque só se vive a sofrer por amar
E quem pensar nisso hoje em dia, não terá alegria
É bom evitar

Desses carinhos não quero saber
Pra não andar só a me maldizer
É preferível viver com a paz
Porque se não faz bem, mal não faz

Não tenho nota nem faço questão
Mas tenho enfim muita satisfação
Com alegria estou muito bem
Muita gente quer ter e não tem

Ismael Silva!
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13 de setembro de 2008

{Eu vou morrer se você não quiser me arranjar um pecadinho!}


FREVO

(TOM ZÉ - TUZÉ DE ABREU)

Esta noite não quero saber de conselho
esquece, deixe pra lá
me arranje um pecado
quente pra me consolar
pense bem que depois
tem o ano inteiro pra gente pagar

Cinqüenta gramas de amor
veja lá, é um bocadinho
vinte gramas até,
venha cá, é tão pouquinho.
Eu vou morrer se você
não quiser
me arranjar um pecadinho.

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10 de agosto de 2008

Algum lugar


Vinicius de Moraes / Marília Medalha

Meu amor | Não posso mais | Viver aqui | Não tenho paz | Eu quero ir | Pra algum lugar | Pra algum lugar | Pra algum lugar | E ser feliz | Ouvir o mar | E amar

Meu amor | Vamos fugir | Vou me mandar | Não quero mais | Viver sem ar | Me poluir | Me poluir | Me poluir | Ter que me dar | Com quem não sabe | Amar

Não sei mais pr’onde ir | Pasárgada ou Shangri-lá | Será que há por aqui | Algum lugar, eu sei lá | Pra gente amar | E aquela estrela ali | Podia bem ser um bar | Pra ir é só curtir | E escalar o luar | Bem devagar

Meu amor | Tem que ser já | Eu vou sumir | Sair daqui | Vou te levar | Pra algum lugar | Pra algum lugar | Pra algum lugar | E sempre só | Você e eu | E o mar.

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9 de agosto de 2008

Carmen's Story


Elle ne voit que lui dans le studio,
Il ne voit qu'elle sur le plateau,
Et dans la foule des figurants
Habit brodé, habit clinquant,
En somnambules, au fil des jours,
Illuminés par leur amour,
Sans le savoir, transfigurés,
Ils sont Carmen et Don José,
Et quelqu'un crie : "Silence! On tourne!"
Carmen's story ! Carmen's story!

Mais dans le studio de cinéma,
Voilà qu'un jour il l'aperçoit
En train de rire, rire aux éclats
Avec cet homme qui est là-bas...
Ça lui fait mal, il veut partir...
Mais le destin doit s'accomplir
Et dans la foule des figurants
Elle est tombée, sans même crier...
Quelqu'un a dit : "Très bon ! Coupez!"
Carmen's story ! Carmen's story!

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25 de julho de 2008

Qu'est-ce-que ça peut faire


[Benjamin Biolay]

Qu'est-ce-que ça peut faire,
De savoir qu'été comme hiver,
Tu vas me manquer.

Qu'est-ce-que ça peut faire,
De savoir qu'on s'est fait la guerre,
Qu'on s'est fait la paix.

Qu'est-ce-que ça peut foutre,
Qu'est-ce-que ça peut faire.

Qu'est-ce-que ça peut faire,
Que tu jettes la tête en arrière,
Que je sois sonné.

Qu'est-ce-que ça peut faire,
Toutes ces parties de jambes en l'air,
Ces actes manqués.

Qu'est-ce-que ça peut foutre,
Qu'est-ce-que ça peut faire.

Au bout de la route,
Il n'y a qu'un désert.

Qu'est-ce-que ça peut faire,
De voir qu'tu n'as rien de mieux à faire,
Que de m'écouter.

Oh dis moi Qu'est-ce-que ça peut faire,
Qu'on oublie les prélimiaires.
Qu'on laisse allumé.

Qu'est-ce-que ça peut foutre,
Qu'est-ce-que ça peut faire.

Qu'est-ce-que ça peut faire,
Qu'il y ait cette beauté sur la terre,
Si tout dois brûler.

Oh dis moi qu'est-ce-que ça peut faire,
Qu'il y ait un solstice en hiver,
Et l'autre en été.

Qu'est-ce-que ça peut foutre,
Qu'est-ce-que ça peut faire.

Puisqu'au bout de la route,
Il n'y a qu'un désert.

Vas-y demande à la poussière.

Il y a cette lumière,
Qui ne s'éteint jamais,
Comme un Cerbère,
Aux abords de la mer.

Il y a cette lumière,
Qui ne s'éteint jamais,
Comme un révèrbère,
Comme les feux d'un loquet.

Qu'est-ce-que ça peut faire,
Qu'il y ait des stations balnéaires,
Dans mon verre à pied.

Oh dis moi qu'est-ce-que ça peut faire,
Que je te voie le ventre à l'air,
Ou les yeux cernés.

Qu'est-ce-que ça peut foutre,
Qu'est-ce-que ça peut faire.

Puisqu'au bout de la route,
Il n'y a qu'un désert.

Qu'est-ce-que ça peut foutre,
Qu'est-ce-que ça peut faire.

Puisqu'au bout de la route,
Il n'y a qu'un grand désert.
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30 de maio de 2008

Onde Anda Você


(Vinicius de Moraes / Hermano Silva)


E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer

E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
Onde a gente ficava
Onde a gente se amava
Em total solidão

Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você

E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares
Onde anda você
...

9 de maio de 2008

Minta


[Ricardo Breim/Luiz Tatit]

Minta que você sozinho fez tanta proeza que já tem certeza que esse mundo é seu.
Minta que no fim das contas pra ser bem sincero você nem se lembra que me conheceu.
Minta, mas com muita classe, como se não se importasse com sei lá quem quer que fosse
Mesmo quem lhe trouxe toda essa confiança que lhe cobre a face...
Minta que depois da gente bem rapidamente você virou outro e logo me esqueceu.
Minta descaradamente que daí pra frente tudo que cê teve foi melhor que eu.
Minta, mas com segurança, pra que eu me sinta criança
E me dê a doce liberdade de ouvir mentiras em palavras que são de verdade...

...

19 de abril de 2008

La femme chocolat

Taille-moi les hanches à la hache
J'ai trop mangé de chocolat
Croque moi la peau, s'il-te-plaît
Croque moi les os, s'il le faut

C'est le temps des grandes métamorphoses

Au bout de mes tout petits seins
S'insinuent, pointues et dodues
Deux noisettes, crac! Tu les manges

C'est le temps des grandes métamorphoses

Au bout de mes lèvres entrouvertes
pousse un framboisier rouge argenté
Pourrais-tu m'embrasser pour me le couper...

Pétris-moi les hanches de baisers
Je deviens la femme chocolat
Laisse fondre mes hanches Nutella
Le sang qui coule en moi c'est du chocolat chaud...

[Olivia Ruiz]

...

10 de abril de 2008

Chico Malandro!


Fica
Diz que eu não sou de respeito, diz que não dá jeito, de jeito nenhum.
Diz que eu sou subversivo
, um elemento ativo, feroz e nocivo ao bem-estar comum...
Mas fica
...
Mas fica, meu amor!

Quem sabe um dia,

Por descuido - ou poesia
-
Você goste de ficar!


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Não Existe Pecado ao Sul do Equador

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor
...
Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar!

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De volta ao samba

Pensou que eu não vinha mais, pensou?
Cansou de esperar por mim?
Acenda o refletor, apure o tamborim!
Aqui é o meu lugar: eu vim!
...
Quem vibrou nas minhas mãos
Não vai me largar assim
Acenda o refletor, apure o tamborim
Preciso lhe falar: eu vim!
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24 de janeiro de 2008

Abro La Ventana


[Lhasa de Sela]

Que grán silencio
Todo en suspenso
Que vértigo de no verte
Retumbo
Como una campana
Abro la ventana
Y entras tú
Entras tú...

imagem: Mannikko
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14 de dezembro de 2007

Valsa do Bordel


[Vinicius de Moraes]

Longas piteiras | perfumes no ar | roxas olheiras | em torno do olhar | que brincadeira | fazer profissão | da mais antiga e mais sem solução | Discos franceses | tão sentimentais | velhos fregueses | com taras iguais | ai, quem me dera | voltar para trás | sem sentir mais tanta solidão | E, de repente | entre tanto cliente | Lá chega o gostosão | e, incontinênti, abre conta-corrente | em nosso coração | A gente apanha | mas sente prazer | dá o que ganha | e o que se vai fazer? | ele é a paixão todo o resto é saber | vender um pouco de ilusão

imagam: Juarez Machado
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12 de dezembro de 2007

tears for affairs

[Camera Obscura]

Shedding tears for affairs
I’m a funny little thing
I can tell you this for nothing
Affairs don’t win
Can you handle one more dirty secret one more dirty night?


Is it true what they say?
Will it make us go blind?

You had to drive
Look me in the eye
Whisper don’t cry

I’ll take an interest in Illustration
It should be a laugh

Your words are with me still
They whisper in the grass


Shedding tears for affairs
I’m a stupid little thing
I can tell you this for nothing
You won’t win

You had to drive
(I didn’t want to)
Look me in the eye
(I found it hard to)

Whisper don’t cry

(I had to whisper don’t cry)

So I cried

imagem: mucha.

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5 de dezembro de 2007

Cuydados meus tão cuydados




Cancioneiro de Hortênsia [Portugal – séc XVI ]

Cuydados meus tão cuydados,
Que farey?
Que nunca vos tais cuidey.

Para cuydados não mais
Em todos vos escolhi,
Fizestes vos em mi tais
Que descuydais de mi.

Agora que sinto em mi
O que andei,
Cuydados meus que farei?
Que nunca vos tais cuidey.

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23 de novembro de 2007

Marcha da quarta-feira de cinzas



[Carlos Lyra e Vinicius de Moraes]

Acabou nosso carnaval | Ninguém ouve cantar canções | Ninguém passa mais brincando feliz | E nos corações | Saudades e cinzas foi o que restou. | Pelas ruas o que se vê | É uma gente que nem se vê | Que nem se sorri, se beija e se abraça | E sai caminhando | Dançando e cantando cantigas de amor. | E no entanto é preciso cantar | Mais que nunca é preciso cantar | É preciso cantar e alegrar a cidade... | A tristeza que a gente tem | Qualquer dia vai se acabar | Todos vão sorrir, voltou a esperança | É o povo que dança | Contente da vida, feliz a cantar. | Porque são tantas coisas azuis | Há tão grandes promessas de luz | Tanto amor para amar de que a gente nem sabe... | Quem me dera viver pra ver | E brincar outros carnavais | Com a beleza dos velhos carnavais | Que marchas tão lindas | E o povo cantando seu canto de paz.

imagem: do filme "a liberdade é azul"

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