Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado - que o Mutúm era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a idéia de poder trazê-lo desse jeito de cór, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas . Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia: - "Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver..."[Guimarães Rosa, em "Campo Geral", do Corpo de Baile. Não precisa de imagem.]
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12 de fevereiro de 2008
Mutúm
3 de fevereiro de 2008
forgetting me, remember me
in time of daffodils (who know
the goal of living is to grow)
forgetting why, remember how
in time of lilacs who proclaim
the aim of waking is to dream,
remember so (forgetting seem)
in time of roses (who amaze
our now and here with paradise)
forgetting if, remember yes
in time of all sweet things beyond
whatever mind may comprehend,
remember seek (forgetting find)
and in a mystery to be
(when time from time shall set us free)
forgetting me, remember me
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31 de janeiro de 2008
La Dame aux Camélias
26 de janeiro de 2008
O Último Blues

Agora é uma atriz
Saída de outra peça
Chamada "Doces Ardis..."
Quando beija a sua boca
Ela começa a fraquejar
Por onde anda a sua mão
Você só quer se aproveitar
E ela delira
Rodopiando no salão
Os dois parecem um casal
Mas é mentira
imagem: carta de uma desconhecida (outra vez)
24 de janeiro de 2008
Abro La Ventana
22 de janeiro de 2008
Carta Para Ti

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21 de janeiro de 2008
Ruína Azul
19 de janeiro de 2008
18 de janeiro de 2008
Essas doidices de amor! - sorri.
16 de janeiro de 2008
Seja o que seja
imagem do filme "o anjo azul"
15 de janeiro de 2008
Pá: sorriso!
10 de janeiro de 2008
9 de janeiro de 2008
Cântico
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Um rio sem margens é o ideal do peixe

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8 de janeiro de 2008
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura | Essa intimidade perfeita com o silêncio | Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo | - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido... || Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo | Essa mão que tateia antes de ter, esse medo | De ferir tocando, essa forte mão de homem | Cheia de mansidão para com tudo quanto existe. || Resta essa imobilidade, essa economia de gestos | Essa inércia cada vez maior diante do Infinito | Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível | Essa irredutível recusa à poesia não vivida. || Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento | Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade | Do tempo, essa lenta decomposição poética | Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius. || Resta esse coração queimando como um círio | Numa catedral em ruínas, essa tristeza | Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria | Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história. || Resta essa vontade de chorar diante da beleza | Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido | Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa | Piedade de si mesmo e de sua força inútil. || Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado | De pequenos absurdos, essa capacidade | De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil | E essa coragem para comprometer-se sem necessidade. || Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza | De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser | E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa | Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje. || Resta essa faculdade incoercível de sonhar | De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade | De aceitá-la tal como é, e essa visão | Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante || E desnecessária presciência, e essa memória anterior | De mundos inexistentes, e esse heroísmo | Estático, e essa pequenina luz indecifrável | A que às vezes os poetas dão o nome de esperança. || Resta esse desejo de sentir-se igual a todos | De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória | Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade | De não querer ser príncipe senão do seu reino. || Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade | Pelo momento a vir, quando, apressada | Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante | Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada... || Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto | Esse eterno levantar-se depois de cada queda | Essa busca de equilíbrio no fio da navalha | Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo | Infantil de ter pequenas coragens.
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7 de janeiro de 2008
Morrer talvez seja voltar para a poesia

Porque, em todas as circunstâncias da vida real, não é a alma dentro de nós, mas sua sombra, o homem exterior, que geme, se lamenta e desempenha todos os papéis, neste teatro de palcos múltiplos, que é a terra inteira.
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6 de janeiro de 2008
Conversa de Bois
- Podemos pensar como o homem e como os bois. Mas é melhor não pensar como o homem...
- É engraçado: podemos espiar os homens, os bois outros...
- Pior, pior... Começamos a olhar o medo... o medo grande... e a pressa... O medo é uma pressa que vem de todos os lados, uma pressa sem caminho... É ruim ser boi-de-carro. É ruim viver perto dos homens... As coisas ruins são do homem: tristeza, fome, calor - tudo, pensado, é pior...
- Mas, pensar no capinzal, na água fresca, no sono à sombra, é bom... É melhor do que comer sem pensar. Quando voltarmos, de noite, no pasto, ainda haverá boas touceiras do roxo-miúdo, que não secaram... E mesmo o catingueiro-branco está com as moitas só comidas a meia altura... É bonito poder pensar, mas só nas coisas bonitas...
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4 de janeiro de 2008
Facilmente aceitamos a realidade, talvez por intuirmos que nada é real.
2 de janeiro de 2008
ela vem de longe, envolta em estranhas cores
Um filme recente, As horas, apresenta Woolf de um modo que decerto teria maravilhado seus contemporâneos. Ela é a imagem exata da romancista sensível e sofredora. Onde está a mulher maliciosa e cruel que de fato era? E desbocada também, embora com um sotaque típico da classe alta. A posteridade, ao que parece, tem de suavizar e tornar respeitável, abrandar e polir, incapaz de ver que o áspero, o bruto, o discordante podem ser a fonte e o alimento da criatividade. Era inevitável que Woolf acabasse como uma distinta dama das letras, embora eu pense que nenhum de nós poderia ter imaginado que ela seria representada por uma moça jovem, bonita e elegante que nunca sorri, cuja testa sempre franzida mostra quantos pensamentos profundos e difíceis está tendo. Meu Deus! A mulher aproveitou a vida quando não estava doente; gostava de festas, de seus amigos, de piqueniques, excursões, caminhadas. Como adoramos mulheres vítimas; oh, como de fato as adoramos.
Doris Lessing, 2003 (em "A Casa de Carlyle e outros esboços", Virginia Woolf, Organização de David Bradshaw)
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o que você viveu ninguém rouba

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1 de janeiro de 2008
toda a razão do amor é afogar-se no mar.
The intellectual is always showing off,
the lover is always getting lost.
The intellectual runs away,
afraid of drowning;
the whole business of love
is to drown in the sea.
Intellectuals plan their repose;
lovers are ashamed to rest.
The lover is always alone.
even surrounded by people;
like water and oil, he remains apart.
The man who goes to the trouble
of giving advice to a lover
get nothing. He's mocked by passion.
Love is like musk. It attracts attention.
Love is a tree, and the lovers are its shade.
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