
20 de novembro de 2008
Pérolas de Italo Breno - Parte I

19 de novembro de 2008
Se eu seria personagem

Sou antigo. Onde estão os cocheiros e os arcediagos?
Vou ao que me há de vir, só, só, próprio (...). O tempo é que é a matéria do entendimento (...). O amor não pode ser construidamente.
A hora se fazia pelo deve & haver dos astros, não aliás e talvez. Tanto sabe é quem manda; e fino o mandante.
Sim sofri; como o músico atrás dos surdos ou o surdo atrás dos dançantes.
O amor se faz é graças a dois.
Sua minha alma (...). De dom, viera, vinha, veio-me, até mim. Da vida sem idéia nem começo (...).
Tem-se de a algum general render continência.
17 de novembro de 2008
16 de novembro de 2008
A Força da Fraqueza

Nada no mundo pode ser comparado com a água por sua fraqueza e natureza submissa; no entanto, para atacar o rijo e o forte, nada se mostra melhor do que ela. Pois não há outra alternativa para isso.
O fraco pode vencer o forte e o submisso pode sobrepujar o rijo.
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One Art

[Elizabeth Bishop]
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
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(imagem de "A Liberdade é Azul")
15 de novembro de 2008
Desacontecimentos de APR - parte II
O desacontecimento e as escrituras do eu
A solidão é primeiro caminho da identidade, dentro do reino da autonomia. Quantas vezes nos olhamos nos espelhos com medo que fujamos de nós mesmos? Quantas janelas já abrimos desconfiados da luz intensa que nos chama para vida e da tristeza que leva para dentro de nós mesmos decifrações sem as quais seríamos abismos?
O poeta busca construir uma história, encurralado pelos enigmas das solidões que se instituem. A distância física não esconde um cenário musical que se conjugaria com muitas composições de Philip Glass. A linearidade não se sustenta, sucumbe às manifestações da sensibilidade.
O retorno das coisas e das gentes, através das viagens da memória, divaga sobre o que está aceso nas constelações dos mistérios do mundo.
A linearidade é o sinal de tempo burocrático, desfalcado da delicadeza do sentimento. Ela cabe nos calendários oficiais, no fôlego das produções massivas de mercadorias, na disciplina inibidora e autoritária. Não é desnecessária para efetivação da sociabilidade, mas não pode ser hegemônica.
14 de novembro de 2008
Desacontecimentos de APR - parte I
O que faz morrer é o esquecimento do toque, a profundidade do abismo, o excesso de luz ou de labirintos.
O historiador encontra-se, diante de tantas invenções, cercado de fontes riscadas nas dobras
do seu corpo.
A virtualidade muda conceitos, identifica a sedução de uma economia da troca impossível, não apenas de mercadorias, mas também de afetos.
“Não leias. Olha as figuras brancas desenhadas pelos
intervalos separando as palavras de várias linhas e inspira-te nelas” (Breton e Éluard)
A separação das coisas, dos corpos, dos sentimentos é uma quebra que não se completa na secura dos fatos, mas que se estende nas passagens simultâneas do eu pelas muitas escritas que o representam.
Minha ponte são os traços da memória, do que foi vivido e sobrevive.
"Quem nos desviou assim, para que tivéssemos um ar de despedida em tudo que fazemos?”(Rilke)
Talismã

[Wally Salomão]
Minha boca saliva porque eu tenho fome...
E essa fome é uma gula voraz que me traz cativa
Atrás do genuíno grão da alegria
Que destrói o tédio e restaura o sol
No coração do meu corpo um porta-jóia existe
Dentro dele um talismã sem par...
Que anula o mesquinho, o feio e o triste
Mas que nunca resiste a quem bem o souber burilar
Sim, quem dentre todos vocês
Minha sorte quer comigo gozar?
Minha sede não é qualquer copo d´água que mata...
Essa sede é uma sede que é sede do próprio mar
Essa sede é uma sede que só se desata
Se minha língua passeia sobre a pele bruta da areia
Sonho colher a flor da maré cheia vasta
Eu mergulho e não é ilusão
Não, não é ilusão!
Pois da flor de coral trago no colo a marca
Quando volto triunfante com a fronte
Coroada de sargaço e sal
Sim, quem dentre todos vocês
Minha sorte quer comigo gozar?
Sim, quem dentre todos vocês
Minha sorte quer comigo gozar?
[imagem: Chema Madoz]
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13 de novembro de 2008
Cê
2006
-
cê não me devia maldizer assim
vi você crescer
fiz você crescer
vi cê me fazer crescer também
pra além de mim
não, nada irá nesse mundo
apagar o desenho que temos aqui
nem o maior dos seus erros,
meus erros, remorsos, o farão sumir
vejo essas novas pessoas
que nós engendramos em nós
e de nós
nada, nem que a gente morra,
desmente o que agora
chega à minha voz.
eu tenho medo de não me apaixonar
tenho medo dele, tenho medo dela
os dois juntos onde eu não podia entrar
com você eu tenho mesmo de me conformar
eu tenho mesmo de não me conformar
sexo heterodoxo, lapsos de desejo
quando eu vejo o céu desaba sobre nós
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Porquê? *
estou me a vir
e tu como é que te tens por dentro?
porquê não te vens também?
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12 de novembro de 2008
De Ruanda (A Herba de Namorar)

la más bonita no tiene olor¹
y si lo tiene yo no lo sé
vente conmigo y te lo diré.
En mi jardín te vi correr
tu no miraste, yo te miré
y si me viste yo no lo sé
dime morena lo he de saber.
Teño unha herba de namorar²
teño pensado quen á levar
na faltriqueira heicha de poñer
para namorarte a ti muller ³
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¹ Isso comprova a pior 'anti-romanticidade'
cientificamente comprovada do mundo (que Lucas
fez questão de expôr): as flores bonitas
e grandes não têm cheiro. É tudo ilusão...
² Eu sei a quem levar!
³ Gente, eu sou hetero! Invertam a música e fica tudo bem.
Ela é tão linda.. música não tem sexo, oras!
11 de novembro de 2008
Um índio *

[Caetano Veloso]
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
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* Para lembrar e agradecer a Patrícia e Lucas pelo carinho, a generosidade e os dias felizes que nos proporcionaram em Recife...
30 de outubro de 2008
(listening to) Rosália de Souza
Sambando...
Continuo a perguntar:
Onde anda o meu amor?
Pois eu não sei se foi sambar
Ou arranjar um outro alguém!
Onde anda o meu amor?
Sambando...
Volta pra mim, meu bem
Volta, eu peço, por favor...
Quero sambar também,
Mas só sambo com você!
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29 de outubro de 2008
Calabar - O Elogio da Traição
(de Chico Buarque, para a peça de sua autoria - com Ruy Guerra - Calabar)
Dessa minha terra
No meu corpo se escondeu,
Minhas matas percorreu,
Os meus rios,
Os meus braços,
Ele é meu guerreiro
Nos colchões de terra.
Nas bandeiras, bons lençóis,
Nas trincheiras, quantos ais, ai...
Cala a boca,
Olha o fogo,
Cala a boca,
Olha a relva,
Cala a boca, Bárbara.
Cala a boca, Bárbara.
Cala a boca, Bárbara.
Cala a boca, Bárbara.
Ele sabe dos segredos
Que ninguém ensina:
Onde eu guardo o meu prazer,
Em que pântanos beber,
As vazantes,
As correntes.
Nos colchões de ferro
Ele é o meu parceiro,
Nas campanhas, nos currais,
Nas entranhas, quantos ais, ai.
Cala a boca,
Olha a noite,
Cala a boca,
Olha o frio.
Cala a boca, Bárbara.
Cala a boca, Bárbara.
Cala a boca, Bárbara.
Cala a boca, Bárbara.”
Depois de ler "Nordeste", do Gilberto Freyre, de me debruçar com mais cuidado sobre "Raízes do Brasil", do pai do Chico e de fazer as pazes com Evaldo Cabral de Mello e seu "Rubro Veio", admito que caí de amores pelos holandeses. Pois é. Sei que colonizador é colonizador, independente de onde vem, mas não dá pra não se apaixonar pelo Nassau. O problema é que a única linguagem que entendo é a da poesia, então depois de ler essas interpretações sobre o Brasil, voltei a ler "Calabar", do Chico, pra poder entender um pouco mais e pra descansar da leitura meio enfadonha do Rubro Veio... lá (em Calabar) o Nassau aparece como um sonhador-construtor muito amigo do povo brasileiro e meio inocente em relação aos desejos da Holanda e de seu conselheiro. Tá meio idealizado, mas eu gosto. E agora já posso recomendar o sacrifício a todos: Evaldo Cabral de Mello vale a pena. Mas leiam também Calabar, que aí a coisa fica mais leve.
26 de outubro de 2008
Mapas Urbanos
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
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Agora bateu uma saudade. Especialmente do frio, dos dias nos Jardins do Ipiranga e da infância paleolítica no Parque da Aclimação. rs
24 de outubro de 2008
Eros e Psiquê

Para deixar tuas ternas carícias
E ir rolar o corpo na neve gelada,
O prazer de meu corpo ainda aumentaria;
É mais prazeroso te dar prazer do que recebê-lo.
Teu amor me derrotou! Faz de mim o que quiseres,
E usa-me como uma serva que é tua!
Beija-me, pisa-me, acaricia-me ou me bate,
Enfia em meu peito forte dor até o punho,
Inventa o que mais for perversamente meigo."
(Patmore*)
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21 de outubro de 2008
Uakti

Uakti viveu às margens do Rio Negro. Seu corpo, aberto em buracos, recebia o vento e emitia um som tão irradiante que atraía todas as mulheres da tribo. Os índios, enciumados, perseguiram UAKTI e o mataram, enterrando seu corpo na floresta. Altas palmeiras ali cresceram; de seus caules os índios fizeram instrumentos musicais de sons suaves e melancólicos, feito o som do vento no corpo de Uakti.
... ao ouvirem esse som, as mulheres estarão impuras e serão tentadas...
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O texto acima é da comunidade do Uakti no orkut. Agora que resolvi postar sobre músicos estranhos e serendipidade, é bom dizer que já tinha escutado falar dessas flautas mágicas (e viris) indígenas na aula de Renata (Sociologia da Religião). Pois bem. Descobri o Uakti, enlouqueci com o Uakti, me tornei até uma das principais ouvintes do Uakti na last.fm. Os sons dele me tentaram. Terão também me deixado impura? Não sei. Sei que nunca gostei de música experimental demais nem de instrumentos estranhos demais... mas Uakti é outra coisa, muito maior e mais bela e mais mística e mais tudo! A música dele me deixa meio tonta, meio embriagada. Meio enfeitiçada e muito encantada. Bom, depois desse - estanho - momento de entusiasmo, devo admitir que no lugar de "descobri o Uakti" deveria ter dito "passei a conhecer o Uakti". Seria mais apropriado.
Depois de "descobrir" Madeleine Peyroux meses antes de uma música dela aparecer na novela da Globo, veio minha nova frustração de descobridora que não descobre nada: o Uakti fez a trilha do Blindness, do Fernando Meirelles! Fez também a de Lavoura Arcaica, se não me engano. Ou seja, outros já tinham descoberto o grupo (mineiro, como o Guima) antes de mim...
De qualquer forma, ainda gostaria de ser contratada pela TV Cultura (pensaram que eu ia dizer "Globo"?) pra descobrir novos talentos. E assim que estiver lá arranjo um cargo pra Carol (já tinha prometido) e outro pra Aline (todas as historiadoras paulistanas-rosianas merecem cargos na Cultura!). Um dia, quem sabe...
20 de outubro de 2008
Walter Smetak

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O Seu Amor

Ame-o e deixe-o
Livre para amar
Livre para amar
Livre para amar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ser o que ele é
Ser o que ele é
Ser o que ele é
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18 de outubro de 2008
E de resto, Glaura? Tem ido ao cinema?

para dizer, por exemplo, que me ama,
sua boca explícita aprisiona irremediavelmente
este meu doce olhar,
que vai sonhando uma formação de beijos
aéreos em revoada para ninhos impossíveis. Divago, eu sei.
Perdoáveis como cascas de ovos, esses alheamentos
[momentâneos
não atrapalham tanto nosso relacionamento,
maduro, pausado,
idealizado de comum acordo para nos assentar tão bem.
Os pátios da academia nos verão passar amigos,
articulando aquele papo inteligente. Só às vezes
algum lampejar mais bobamente amoroso
bateria asas
" borboletreiramente "
anunciando às tontas um filme
prudentemente fora de cartaz.
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CANTO SILENCIOSO
A ocasião chegou de estarmos sós
em uma cega calma.
Lentos fios desviram-se entre flores
que são lágrimas caindo do terraço
e amadurecendo
com paciência e luz. Quantas vezes
foram mãos servindo o café, lenta maldade
deslizando entre o tempo e a xícara.
São olhares tranqüilos, revestidos
de uma gentil malícia, de um redondo
desejo de ficar, de estar sempre ao alcance, de
ser uma rede ou um espelho
recolhendo teu rosto.
Todos esperam. Forma-se o séquito das nucas,
esperança minaz, gelo absurdo
para conservar as fases do bailado.
Uma alegria violenta
alimenta-se dos punhos, das entregas,
e são múltiplos caminhos que se enlaçam
com dor.
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FIGURA
Esse sorriso justo, pontuado por vírgulas abstratas,
e no caminho, seguramente em cena, mira
o claro desejo: desmisturar-nos, por qual arte,
em meio a tanto. Mexer com esses relevos
subordinados ao fio da ausência. E o que se supõe
dispõe flores avulsas e laços de linguagem.
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retícula
Lentidão de outra face, elíptica
e singular. É com cuidado
que nossos desesperos vão folheando
as latitudes íngremes. Silêncio
e expansão. No colo das estrelas
um paradoxo sorridente hesita.
Sustos habituais, oscilações e álgebras
de espécie pouco usual
entrelaçavam seus sabores árduos.
Esfriarão as técnicas do acaso?
O halo, com vagar, se dividiu.
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LIGAÇÃO
Peço a obscura religião dos pássaros
ou o inexplicável talento para a tristeza
destas praças.
E choraremos juntos na tarde culpada
enquanto o sol morrer em nossas pálpebras
e a noite, inimiga e doce,
vier comer nossa memória.
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CANTO DE RECEPÇÃO
No dia do retorno
estarei mansamente aqui
e meus olhos se abrirão como pétalas
para teu perfil desconhecido.
Lerei estranhas páginas de esquecimento
e, passante, deflagrarei
as palavras com que saudar-te.
Saberei rir: algo
me ensinarão as flores despertadas
e o barulho crescente das águas.
Direi teu nome em letras de mercúrio,
agasalhado em mil predições
e estourarei como uma fruta.
Darei teu nome aos vôos do vento,
às embarcações que preparam êxtases, aos
inexplicáveis marechais do horror.
...
16 de outubro de 2008
Noturno

Que desato o bouquet de tua angústia
Neste tempo de espera.
Sofres uma solidão recortada
Na tarde de tuas pálpebras
Absorto no retorno das nuvens
Magoadas de outros climas.
Só eu sei, silêncio de jade,
Flor da manhã, Deus triste,
O que te consola do vento.
Só eu sei que não sabes
Eximir-te do enfado,
Da noite, das bocas.
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14 de outubro de 2008
Desenredo

"Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se. Voando o mais em ímpeto de nau tangida a vela e vento. Mas muito tendo tudo de ser secreto, claro, coberto de sete capas."
"Não se via quando e como se viam. Jó Joaquim, além disso, existindo só retraído, minuciosamente. Esperar é reconhecer-se incompleto."
"O trágico não vem a conta-gotas."
"Tudo aplaudiu e reprovou o povo, repartido."
"Suas lágrimas corriam atrás dela, como formiguinhas brancas."
"Haja o absoluto amar – e qualquer causa se irrefuta."
...
