24 de junho de 2008

O curso do rio


Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata. Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio.
Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado.
Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva do rio. Ao testemunhar o evento, Kung Fu Tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta:

-- Ele se acomodou à água, não tentou lutar contra ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair dela e assim foi como conseguiu sobreviver.
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18 de junho de 2008

Não eu, mas mim.




(...) a traça não pode com a alfazema.

Sua perene lembrança - me reobriga. O afeto propõe fortes e miúdas reminiscências.

(...) fino, estranho, inacabado, é sempre o destino da gente.

Como cabe tanta coisa nos meus olhos?

Coração, é indispensável; todos sentimos por quê. O dever, mesmo, vem dele. Entanto que dever e pudor compelem-no a pelejar oculto.

"Melhor é acreditar que uma harmonia secreta domina..." (Adelmar Tavares)

Ele era bom. Será que faz ainda sentido a palavra?

"Dou muita importância às pequenas coisas; mais do que às grandes." (João Neves da Fontoura, o Ministro)

"Não o conhecia bem, mas, num lampejo ocasional, ele me apareceu como a pessoa de que precisava junto de mim." (o Ministro, novamente)

Muito junto do braseiro, gente há às vezes que não se aquece direito, mas corre risco de sapecar a roupa.

Esperar é dar-se em hipoteca.

"
Toda segurança é aparente, todo bem-estar terrivelmente interino." (João Neves)

"
Meu interesse, sincero, pela imensa e imedida individualidade de Vargas, motivava-se também no querer achar, em sã hipótese, se era por dom congênito, ou de maneira adquirida mediante estudo e adestramento, que ele praticava o wu wei - 'não-interferência', a norma da fecunda inação e repassado não-esforço de intuição - passivo agente a servir-se das excessivas forças em torno e delas recebendo tudo pois 'por acréscimo'." (Cordisburgo, sobre Vargas)

"Enigma nenhum, apenas um fatalista de sorte..." (o Ministro, sobre Vargas)

Lembremo-nos sempre do que ainda não houve.

(...)
substância amorfa e escolhedora - o tempo.

Esta horária vida não nos deixa encerrar parágrafos, quanto mais terminar capítulos.

"As coisas estão amarradinhas é em Deus" (Vovó Chiquinha e Vovó Graciana)

(...)
a transparência pressupõe fundo luminoso.

"Sonhos ou realidade? Será que a gente vê mesmo, com exatidão, as pessoas e as coisas?"

(...)
poesia é remédio contra sufocação.

Tudo, pela metade, é verdade. Os extremos já de si sempre se tocam, antes que tese e antítese se proponham.

Da sensibilidade e inteligência tem-se sempre de pagar ingrato preço.

Quem julga? Apreendeu já alguém, sobre o fluxo dos fenômenos e dar-se de valores instantâneos, a ortografia das tortas linhas altas?

(...)
o viver vai maior e mais ligeiro que a gente.

"A vida é uma série crescente de restrições" (Neves da Fontoura)

E envelhecia bem; isto é, tomava posse do passado. O passado também é urgente. (Sagarana, sobre o Ministro)

"Ninguém muda ninguém..." - não julgava. Usava e dava a esperança. (Mais uma vez Joãozito acerca do Ministro)

Imortal é o que é do sofrido e espírito; tudo, abaixo daí, é póstumo.

As coisas que ele me disse não se afastam com o tempo.

"a ação é um enfraquecimento da contemplação"

Pois não descendemos dos mortos?

(...) arriscado e conturbante é a gente se tirar das solidões fortificadas.

As pessoas não morrem, ficam encantadas.

O mundo é mágico.


- Pérolas do discurso de posse de João Guimarães Rosa na Academia Brasileira de Letras -

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Die in Love if you want to remain alive


Reason is powerless in the expression of Love. Love alone is capable of revealing the truth of Love and being a Lover. The way of our prophets is the way of Truth. If you want to live, die in Love; die in Love if you want to remain alive.
{Rumi}
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13 de junho de 2008

E daí?


[Miguel Gustavo - cantada por Gal Costa]

Proibiram que eu te amasse. Proibiram que eu te visse. Proibiram que eu saísse e perguntasse a alguém por ti. Proibam muito mais! Preguem avisos, fechem portas, ponham guisos! Nosso amor perguntará: e daí? E daí?

Daí, por mais cruel perseguição, eu continuo a te adorar.Ninguém pode parar meu coração... que é teu. Que é todo teu.

-> novelas das 6 são o máximo!

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12 de junho de 2008

Vita somnium breve


Há as horas medonhas da noite. Já disse que a insônia me persegue. isto é, às vezes durmo. O mais, é um desaver, pausa pós-pausa.

[...]

Mas ocorre-me, mais que mais, aquele outro estado, que não é de viva vigília, nem de dormir, nem mesmo o de transição comum - mas é como se o meu espírito se soubesse a um tempo em diversos mundos, perpassando-se igualmente em planos entre si apartadíssimos.

[...]

Pinto aquele da 12ª lâmina do Tarô: o homem enforcado - o sacrifício, voluntário, gerador de forças. Esse, é o que me representa.

[...]

Sofro, mas espero. Antes de experiência, profundamente anímica. Tenho de tresmudar-me. Sofro as asas.

[...]


Guimarães Rosa, em Páramo (Estas Estórias) - imagem: Vita somnium breve, Boecklin
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9 de junho de 2008


[Rumi]

A lover asked his beloved,
Do you love yourself more
than you love me?

The beloved replied,
I have died to myself
and I live for you.

I’ve disappeared from myself
and my attributes.
I am present only for you.

I have forgotten all my learning,
but from knowing you
I have become a scholar.

I have lost all my strength,
but from your power
I am able.

If I love myself
I love you.
If I love you
I love myself.
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8 de junho de 2008

Curso intensivo de boas maneiras


Tom Zé.

"Fique à vontade!"
"Tchau, good bye"
"Ainda é cedo"
"Alô, como vai?"
Com Marcelino vou estudar
Boas maneiras
Pra me comportar.
Primeira lição: deixar de ser pobre,
Que é muito feio.
Andar alinhado
E não freqüentar, assim, qualquer meio.
Vou falar baixinho,
Serenamente, sofisticadamente,
Para poder com gente decente
Então conviver.

Da nobre campanha
Contra o desleixo
Vou participar
Pela elegância e a etiqueta
Vou me empenhar
Entender de vinhos, de salgadinhos,
Esnoberrimamente,
Trazer o país
sob um requinte intransigente.

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7 de junho de 2008

o que o homem quer de verdade, quer agora.

" o valor supremo não é o futuro, mas sim o presente; o futuro é um tempo falaz que sempre nos diz 'ainda não está na hora' e assim nos nega. O futuro não é o tempo do amor: o que o homem quer de verdade, quer agora. Quem constrói a casa da felicidade futura edifica o cárcere do presente. "


Octavio Paz, em "O Labirinto da Solidão"
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imagem: Klimt, Nude Veritas.

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4 de junho de 2008

Madrugada

[Octavio Paz]

Rápidas manos frías
retiran una a una
las vendas de la sombra
Abro los ojos
todavía
estoy vivo
en el centro
de una herida todavía fresca.


in "Dias Hábiles", El fuego de cada día
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31 de maio de 2008

O que é o espaço?


[Ana Hatherly]

O que é o espaço
senão o intervalo
por onde
o pensamento desliza
imaginando imagens?

O biombo ritual da invenção
oculta o espaço intermédio
o interstício
onde a percepção se refracta

Pelas imagens
entramos em diálogo
com o indizível
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30 de maio de 2008

Onde Anda Você


(Vinicius de Moraes / Hermano Silva)


E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer

E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
Onde a gente ficava
Onde a gente se amava
Em total solidão

Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você

E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares
Onde anda você
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28 de maio de 2008

Era assim:



[Ana Hatherly]

era assim:

queres?
queres algo?
queres desejar?
desejas querer?
desejas-me?
desejas querer-me?
queres desejar-me?
queres querer-me?
queres que te deseje?
desejas que te queira?
queres que te queira?
                                                         quanto me
queres?
quanto me
desejas?
                   ah   quanto te quero
quando te quero
quando me queres...


in: um calculador de improbabilidades
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24 de maio de 2008

Felicidade

[Luiz Tatit]

Não sei porque eu tô tão feliz! Não há motivo algum pra ter tanta felicidade... Não sei o que que foi que eu fiz. Se eu fui perdendo o senso de realidade... Um sentimento indefinido foi me tomando ao cair da tarde. Infelizmente era felicidade. Claro que é muito gostoso, claro! Claro que eu não acredito: felicidade assim, sem mais nem menos, é muito esquisito!

Não sei porque eu tô tão feliz. Preciso refletir um pouco e sair do barato. Não posso continuar assim, feliz, como se fosse um sentimento inato, sem ter o menor motivo, sem uma razão de fato! Ser feliz assim é meio chato... E as coisas nem vão muito bem: perdi o dinheiro que eu tinha guardado e, pra completar, depois disso eu fui despedido e estou desempregado! Amor, que sempre foi meu forte? Não tenho tido muita sorte. Estou sozinho, sem saída, sem dinheiro e sem comida. E feliz da vida!!!

Não sei por que eu tô tão feliz! Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade... Pensei que fosse por aí, fiz todas terapias que tem na cidade. A conclusão veio depressa e sem nenhuma novidade: o meu problema era felicidade. Não fiquei desesperado, não. Fui até bem razoável. Felicidade - quando é no começo - ainda é controlável.

Não sei o que foi que eu fiz pra merecer estar radiante de felicidade. Mais fácil ver o que não fiz: fiz muito pouca aqui pra minha idade. Não me dediquei a nada: tudo eu fiz pela metade, por que então, tanta felicidade? E dizem que eu só penso em mim, que sou muito centrado, que eu sou egoísta. Tem gente que põe meus defeitos em ordem alfabética e faz uma lista! Por isso não se justifica tanto privilégio de felicidade. Independente dos deslizes dentre todos os felizes... Sou o mais feliz!

Não sei por que eu tô tão feliz. E já nem sei se é necessário ter um bom motivo! A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo. Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente. Mas desisti, vou ser feliz pra sempre! Peço a todos: com licença, vamos liberar o pedaço? Felicidade assim desse tamanho só com muito espaço!

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22 de maio de 2008

Era como se o amor doesse em paz


É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
E preciso inventar de novo o amor

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É, meu amigo
Só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor

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[carta ao tom e carta do tom: vinicius, tom e chico]

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Coisas do Tom (conversando com Clarice Lispector)

* A morte não existe, Clarice. Tive uma experiência que me revelou isso. Assim como também não existe o eu nem o euzinho nem o euzão. Fora essa experiência que não vou contar, temo a morte 24 horas por dia. A morte do eu, eu te juro, Clarice, porque eu vi.

* Se como homem fui um pequeno-burguês adaptado, como artista me vinguei nas amplidões do amor. Você desculpe, eu não quero mais uísque por causa de minha voracidade, tenho é que beber cerveja porque ela locupleta os grandes vazios da alma. Ou pelo menos impede a embriaguez súbita. Gosto de beber só de vez em quando. Gosto de tomar uma cerveja mas de estar bêbado não gosto.

* - Tom, toda pessoa muito conhecida, como você, é no fundo o grande desconhecido. Qual é a sua face oculta?

- A música. O ambiente era competitivo, e eu teria que matar meu colega e meu irmão para sobreviver. O espetáculo do mundo me soou falso. O piano no quarto escuro me oferecia uma possibilidade de harmonia infinita. Esta é a minha face oculta. A minha fuga, a minha timidez me levaram inadvertidamente, contra a minha vontade, aos holofotes do Carnegie Hall. Sempre fugi do sucesso, Clarice, como o diabo foge da cruz. Sempre quis ser aquele que não vai ao palco. O piano me oferecia, de volta da praia, um mundo insuspeitado, de ampla liberdade - as notas eram todas disponíveis e eu antevi que se abriam os caminhos, que tudo era lícito, e que poderia ir a qualquer lugar desde que fosse inteiro. Sùbitamente, sabe, aquilo que se oferece a um menor púbere, o grande sonho de amor estava lá e este sonho tão inseguro era seguro, não é Clarice ? Sabe que a flor não sabe que é flor? Eu me perdi e me ganhei, enquanto isso sonhava pela fechadura com os seios de minha empregada. Eram lindos os seios dela através do buraco da fechadura.

* - A coisa mais importante do mundo é o amor, a coisa mais importante para a pessoa como indivíduo é a integridade da alma, mesmo que no exterior ela pareça suja. Quando ela diz que sim, é sim, quando ela diz que não, é não. E durma-se com um barulho desses. Apesar de todos os santos, apesar de todos os dólares. Quanto ao que é o amor, amor é se dar, se dar, se dar. Dar-se não de acordo com o seu eu - muita gente pensa que está se dando e não está dando nada - mas de acordo com o eu do ente amado. Quem não se dá, a si próprio detesta, e a si próprio se castra. Amor sozinho é besteira.

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12 de maio de 2008

Você é arte-mágico?


[Guimarães Rosa]

Leis-do-mundo era o desencontro!

"Agora é que você vem, e eu já vou m'mbora. A gente contraverte. Direito e avesso... Ou fui eu que nasci demais cedo, ou você nasceu tarde demais"

E era nela que seus olhos estavam. Era diversa de todas as outras pessoas.

Onde é que o senhor existe? Disse: - "Meu Mocinho..." Mas dizia depressa, branda e enérgica, que nem que "meu-mocinho" um nome fosse, e que ele mesmo fosse dela, por bem que tantos cuidados não o prendiam nem vexavam.

Mandava sem querer.

"De você eu gosto demais, para saber, meu Mocinho. Você é o sol - mas só ao sol mesmo é que nuvem pode prejudicar..."

Ele a ela: - "É nada?" Ela a ele: - "É tudo. E vamos por aí com chuva e sol..."

Corpo de Baile, a História de Lélio (Hélio?) e Lina (Luna?)
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9 de maio de 2008

Minta


[Ricardo Breim/Luiz Tatit]

Minta que você sozinho fez tanta proeza que já tem certeza que esse mundo é seu.
Minta que no fim das contas pra ser bem sincero você nem se lembra que me conheceu.
Minta, mas com muita classe, como se não se importasse com sei lá quem quer que fosse
Mesmo quem lhe trouxe toda essa confiança que lhe cobre a face...
Minta que depois da gente bem rapidamente você virou outro e logo me esqueceu.
Minta descaradamente que daí pra frente tudo que cê teve foi melhor que eu.
Minta, mas com segurança, pra que eu me sinta criança
E me dê a doce liberdade de ouvir mentiras em palavras que são de verdade...

...

7 de maio de 2008

Retábulo de São Nunca


(João Guimarães Rosa)



245. Seu amor, o de seu fechado coração, se encontrava também muito afastado dali, dela cada vez mais próximo e distante.

246. Atrás do dia de hoje, aguardam, vigiantes, juntos, o ontem e o amanhã, mutáveis minuciosamente.

247. Os que se amam além de um grau deviam esconder-se de seus próprios pensamentos.

249: A sós eles dois, porém, cada um devendo de ter nascido já com o retrato do outro dentro do coração.

250. O que impede a flor de voar é a vida...

251. "Pode-se fugir do que mais se ama?"

253. A vida fornece primeiro o avesso.

254. Vida - coisa que o tempo remenda, depois rasga.

255. O amor não pode ser construidamente. Separava-os e unia-os, agora, a indefenida distância.

256. Antes da tempestade tinha vindo a bonança: tanto o tramar do suceder se escondera, em botijas de silêncio.

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28 de abril de 2008

Pílulas de Antônio Paulo - I - Verdade

Aconchegue sua verdade, para que não saia da sua instalação íntima.

Uma rosa é uma rosa. Depois cada um se perca, gostosamente, na procura do seu adjetivo.

Quem disse que a verdade está na trama do filme ou nas artimanhas dos atores? Ela está nas perguntas dramáticas que a vida faz aos comedores de pipoca, angustiados e temerosos, na escuridão da sala.

Há quanto tempo não ouço nada, a não ser o arranhar do efêmero e a escassez dos significados?

Há um desamparo que acompanha a palavra.

A cidade só tem paredes e nenhuma porta.

Anunciar o fim é um desperdício.

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26 de abril de 2008

um lugar para se perder de alguém ou de si próprio

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu tô indo embora
Talvez eu volte.
Um dia eu volto.
Mas eu quero esquecê-la, eu preciso...
Oh, minha grande
Ah, minha pequena
Oh, minha grande obsessão!


Eu não era nada e aquilo me bastava. Agora não quero mais a parte, eu quero da vida o todo
.

Vapor Barato de Jards Macalé e Fausto do Goethe em Terra Estrangeira.

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24 de abril de 2008

São, São Paulo

São, São Paulo meu amor - São, São Paulo quanta dor - São oito milhões de habitantes - De todo canto em ação - Que se agridem cortesmente - Morrendo a todo vapor - E amando com todo ódio - Se odeiam com todo amor - São oito milhões de habitantes - Aglomerada solidão - Por mil chaminés e carros - Caseados à prestação - Porém com todo defeito - Te carrego no meu peito - São, São Paulo - Meu amor - São, São Paulo - Quanta dor - Salvai-nos por caridade - Pecadoras invadiram - Todo centro da cidade - Armadas de rouge e batom - Dando vivas ao bom humor - Num atentado contra o pudor - A família protegida - Um palavrão reprimido- Um pregador que condena - Uma bomba por quinzena - Porém com todo defeito - Te carrego no meu peito - São, São Paulo - Meu amor - São, São Paulo - Quanta dor - Santo Antonio foi demitido - Dos Ministros de cupido - Armados da eletrônica - Casam pela TV - Crescem flores de concreto - Céu aberto ninguém vê - Em Brasília é veraneio - No Rio é banho de mar - O país todo de férias - E aqui é só trabalhar - Porém com todo defeito - Te carrego no meu peito - São, São Paulo - Meu amor - São, São Paulo...

[Tom Zé]

> continuando agradecimentos... brigada pelo cd, fê!

21 de abril de 2008

There will never be another you

there will be many other nights like this | and i'll be standing here with someone new | there will be other songs to sing | another fall... another spring... | but there will never be another you | there will be other lips that i may kiss | but they won't thrill me | like yours used to do | yes, i may dream a million dreams | but how can they come true | if there will never, ever be another you? | there will be many other nigths like this | and i'll be standing here with someone new | there will be other songs to sing | another fall... another spring... | but there will never be another you | there will be other lips that i may kiss | but they won't thrill me | like yours used to do | yes, i may dream a million dreams | but how can they come true | if there will never, ever be another you?

imagem: Cristopher Agou
canção: Harry Warren/Mack Gordon.

> brigada pelo cd, edceu!
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